Garantia Mínima

Ser artista no Rio de Janeiro é nascer sofredor! Principalmente se você for músico.

Juno Fausto, compositor, violonista, bom cantor, gente fina, boa pinta e sub-síndico de um prédio da Rua General Glicério, em Laranjeiras, desistiu de sofrer no dia 07/09/2009, quando realmente proclamou sua independência.

Doze anos de militância no underground o tornaram conhecido nas boas rodas e até, digamos assim, um camarada detentor de certo prestígio.

Sua passagem pelas bandas: Baratas e Moscas, Fulanos e Jeca Tatu, antes de perseguir sua carreira solo, foi marcante e abriu portas para que no Mercadinho São José, aonde quase diariamente tomava seu choppinho, ensaiasse até alguns autógrafos.

Não vivia de música, mas tirava dinheiro das atividades ligadas a ela. Escrevia releases, atuava como roadie e volta e meia era produtor em alguns shows, este seu trabalho mais glamouroso, principalmente quando atuava na Lapa.

Seu segundo disco "Eu Não Entendo Djavan" ficou pronto há um ano. Mandou prensar mil cópias em Manaus. Neste período, com seu clipping debaixo do braço e chapéu da moda na cabeça, saiu a caça de marcar seus shows. Era o momento das casas de médio porte, aquelas que saem nos jornais, que revelam talentos. Tudo o que queria era o espaço para apresentação e montar uma mini-tour. Seus amigos, seus fãs, sua família e alguns desavisados estariam no seu show. Tinha certeza! Ah, sim! Queria ganhar R$ 200,00 por espetáculo. Justo, não é? Sabia que tinha uma pequena história, um talento e era uma promessa. R$ 200,00 ajudariam na gasolina, pagaria alguns cartazes e a recarga do celular no dia do show.

Sua surpresa veio quando foi ao Cinematheque e soube que teria que garantir R$ 600,00 de mínimo e ainda dividir a bilheteria. No Centro Cultural Carioca R$ 900,00, no Posto 8 R$ 1.000,00 e por aí vai. Pirou! Havia aí uma inversão de valores. Não era a casa que dava garantia ao artista e sim o artista que tinha que dar a garantia a casa. Penou! Tentou até o Canecão, mas lá nem foi atendido. Caiu na mais profunda depressão! Não conseguiu mais trabalhar, parou de comer, jogou metade dos discos pela janela. Passou a dever o aluguel, o condomínio e perdeu o carro em um jogo de purrinha.

Em 07/09/2009 realmente parou de sofrer! Se enforcou em seu apartamento. Deu seu grito de liberdade!

Na semana anterior tinha colocado uma bomba, juntamente com seus discos, em uma caixa e enviado aos estabelecimentos cariocas. A greve dos correios extraviou os objetos e acabou com seus planos. Com a confusão tudo deve ter estourado em Honduras!

No bilhete final sua mensagem de epitáfio: "- Acabem com a mesquinharia! Deixem a música viver!"

Ele queria apenas uma apresentação e R$ 200,00 de cachê. Morreu sem garantias!



Escrito por Marcelo Reis às 23h57
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A Bella

As padarias estão para São Paulo como as casas de suco estão para o Rio de Janeiro. São uma verdadeira febre, sempre lotadas!

Ir à Bella Paulista, na Haddock Lobo, é uma perdição! Principalmente depois de uma noitada na Augusta. Não há coisa melhor! Pratos, sanduíches, salgados, doces, uma variedade incrível de deliciosos comes estão à espera, em um ambiente grande, moderno e que tem Vallet na porta por módicos R$ 5,00, algo raro quando falamos de preço de estacionamento em SP.

Desta vez fiz algo diferente. Estive lá à tarde. O intuito não era curar a ressaca e sim aproveitar a tamanha oferta para um bom lanche. Como sempre o local estava lotado e entendi que ali não existe horário de menor movimento. É paulada 24h mesmo, com uma frequência que vai da nata do alternativo aos engravatados.

Coxinhas com Catupiry e sanduíches de Picanha com Alho e Muzarella de Búfala e Beringela com Molho Pomodoro deram o tom à visita. Deliciosos e muito fartos, por sinal!

Enquanto isso na mesa ao lado uma casal, típico frequentador das baladas da Augusta, tinha uma DR. Mesmo entretido no mundo gastrônomico não conseguia me desligar do assunto alheio. Pelo que captei haviam saído madrugada afora e bebido todas. Recapitualvam a noitada naquele momento, recuperando as energias com belos sucos e pratos, mas sob um clima de certa tensão.

Minha alma gorda pedia sobremesa e um Panettone com cobertura de chocolate logo acenou. R$ 13,50 seria o preço de ir aos céus, mas o bom senso e a sobriedade levou apenas a uma prova gratuita. Ufa!

A discussão na mesa ao lado se acirra e o rapaz levanta. Dirigi-se sozinho ao caixa!

É o tempo para eu pagar a conta e não resitir a um copinho de sorvete (R$ 4,50) de Torta Holandesa. A apresentação dos sorvetes é fantástica. Não há como escapar a este grand finale!

Já jogando o copinho fora, eis que vejo novamente o jovem casal e o rapaz pergunta à moça: "- Pela última vez: você ficou com alguém ontem?" Na sequência a resposta: "- Não sei! Não consigo me lembrar!"

Bendita ressaca! A dela! A minha ficou para o dia seguinte, mas isso já é outra história...

BELLA PAULISTA (24h) - Av Haddock Lobo, 354. Cerqueira Cesar.

(11) 3214-3347

http://www.bellapaulista.com

 

 

 



Escrito por Marcelo Reis às 15h05
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Atendimentos

O atendimento de serviços, no geral em São Paulo, é bem polido! Um contraste com meu querido Rio de Janeiro, aonde corre-se o risco de levar, por exemplo, uma bronca de um garçom por pedir para passar mais um filet, como já aconteceu comigo. O garçom me disse: -" Porra! Por que não pediu bem passado antes?". Bateu o filet na bandeja com uma violência digna de um golpe de  Jiu-Jitsu e o levou para cozinha. Provavelmente o mesmo deve ter sido pisado e cuspido nas dependências secretas do local.

Eu só queria o meu filet, mas ficou a lição. Agora ou fico quieto e aceito com bom grado o bom filet mal passado ou tenho uma explosão de irritação, como aconteceu há uns meses no Mac Donald's - sim até a poderosa franquia americana é contaminada pelo péssimo atendimento carioca. Todas às vezes que pedi uma casquinha de chocolate sempre houve um problema: ou não tem, ou está mole, ou sei lá o quê. Confesso que isso deve ter acontecido umas vinte vezes e na loja do Largo do Machado, sob um calor de 40 graus, berrei repentinamente com a atendente grosseira, que sem nenhuma educação, parecia anunciar feliz que o chocolate estava mole. Meu grito de: - Pôrra! Esta merda nunca funciona direito!" não endureceu o sorvete, mas me trouxe mais alguns anos de vida livre do câncer e deu um susto danado na mulher, que não esperava esta reação. De quebra meu filho também tomou um susto e a bola de seu sorvete caiu, justamente nas suas mãos. Uma lambança!

Frequentador dos mesmo lugares o restaurante onde almoço no Brooklin, em SP, traz a simpatia do dono, que todos os dias me pergunta se comi bem e se estou bem, em geral. Como falei no primeiro parágrafo elogio o atendimento paulista, mas estas palavras diárias, durante alguns anos, com a mesma entonação e atitude, parecem um mantra de efeito contrário e tem horas que sinto vontade de explodir por causa da mesmice e do sorriso idêntico há 365 dias. Algo como quebrar a cara da Branca de Neve. Dá par entender? Quem sabe dizer: -"Comi mal pra cacete! Venho aqui porque sou miserável e não posso pagar um lugar melhor, sendo obrigado a comer este lixo! E sobre minha vida: tá péssima! Meu cheque especial tá estourado, meu irmão é esquizofrênico e minha mãe virou prostituta! Não basta para você? Ah, sim! Não vou pagar pôrra nenhuma hoje! Adeus."

Apesar de tudo fico com o bom atendimento!

Não poderia finalizar sem citar a mulher da padaria, da Rua Miguel Lemos, quase esquina com Barata Ribeiro, em Copacabana, próxima da Estação do Metrô do Cantagalo (esqueci o nome do local). Todos os dias fazendo aquele trajeto comparava uma água sem gás. Meu "bom dia" nunca foi respondido e apesar de todos os dias nos vermos como comprador e atendente do caixa nem um "tudo bem" bem baixinho eu consegui ouvir.  Apenas a expressão da indiferença!

Caso alguém curta uma deprezinha e queira começar seu dia de um jeito "loser" vale uma passadinha por lá.

Os mais espiritualizados podem exercitar dar a outra face (agradecer e cumprimentar sem receber nada em troca). Confiram!

 

 



Escrito por Marcelo Reis às 18h58
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No Açougue

Consegui antecipar meu vôo SDU-Congonhas na última quarta. Raridade! Um pequeno aparte: fiquei intrigado com o comentário da atendente da TAM de que o SDU passará vários vôos domésticos para o Galeão, pois entrará em obras. Totalmente louco! Afinal vários vôos do Galeão tinham ido para o SDU. Não poderiam ter esperado a obra acabar? 

Bom, trapalhadas da INFRAERO à parte, chego em SP e parto direto para uma confraternização no bar ZCarniceria. Há tempos queria conhecer o local, um bar montado em cima do que um dia, na década de 50, foi um açougue/matadouro, na Rua Augusta. Mesmo curioso e sabendo que estava me dirigindo a um bar, acabei sentindo um certo incômodo com a coisa do açougue. A palavra traz a minha cabeça a recordação do bizarro personagem William "Bill the Butcher" Cutting, vivido por Daniel Day-Lewis no chocante "Gangues de Nova York" e a de um vira-lata doente, chamada "Teu Pai", que ficava à espera de sobras de carne, na frente de um açougue nojento, que havia na rua onde eu morava na infância, no Posto 6, Copacabana. 

Procurei superar isso! Adentro o local e o grupo de amigos está sentado logo na primeira mesa da casa - que realmente tem uma decoração interessante, com "raridades açougueiras" originais e peças de mobiliário antigas. Uma Caipivodka de Frutas Vermelhas foi o "start" para os papos, ao som de Stay Cats. É claro que sempre havia a paradinha para olhar quem estava entrando, pois já que estávamos ao lado da porta, nosso "Big Brother" instintivo nos fazia mover as cabeças, quase que em conjunto, para apreciar os frequentadores e tecer leves ou pesados comentários a seu respeito. 

A garçonete, trajada de Pin-Up, foi solícita, apesar do serviço demorado. Enquanto esperávamos pelas cervejas, caipivodkas e cachaças o papo girava em torno de Manaus - havia uma pessoa da mesa, que estava morando lá - e suas belezas, que sinceramente não vejo nenhuma, já que por lá só tem mulher feia e o incessante calor, que causa a sensação de você estar vivendo no núcleo do planeta. Tudo bem! Você vai dizer que tem a Floresta Amazônica, mas eu prefiro deixar a natureza quietinha no Globo Repórter. Além disso, aproveitei para meter o malho nos economistas, já que também tinha um na mesa, me valendo da pergunta infame, porém perfeita: - "Por que os tubarões não atacariam economistas ? Cortesia profissional".

Papos rolando divaguei em alguns momentos. Primeiramente sobre uma cabeça de vaca gigantesca, que, sem trocadilhos, havia sobre nossas cabeças e o efeito terrível, que sua queda imaginária proporcionaria. Talvez até a morte de algum de nós! Algo difícil de explicar a posteriori: -"Morreu com uma vaca na cabeça." ou -"Foi terrivelmente chifrado!" Também não podia deixar de observar algumas gordinhas (nada contra) e imaginá-las como uma boiada, prestes a nos pisotear. Viajei no termo "Estouro das Gordinhas".

Fiquei por pouco tempo e não deu para experimentar os comes (fica para próxima), mas foi suficiente para curtir bem o local! O clima, um tanto quanto "dark", me atraiu e o saldo foi totalmente positivo. 

Da próxima vez arrastarei os "Dead Rabbits" para uma visita. 

ZCarniceria - Rua Augusta, 934.




Escrito por Marcelo Reis às 17h13
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SPRJ

Meus dias se vão pelas duas maiores capitais do Brasil. Entre a brisa de Copacabana e os espigões de concreto da Berrini me instalo. 

A Nova York brasileira e a Cidade Maravilhosa, separadas por cerca de 450km, parecem muitas vezes tão distantes e, em outras, mais próximas do que se pode imaginar.

Para quem bate ponto na Ponte Aérea, transita pela Dutra ou simplesmente vive em uma das duas cidades ficam aqui histórias, dicas, contos, crônicas, etc. Uma visão cotidiana cercada de bom (ou mau) humor.

Muito prazer! Bem-vindos à nossa "Conexão SPRJ".


 



Escrito por Marcelo Reis às 16h00
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